terça-feira, 26 de março de 2019

PODE PARARECER CONTO DAS MIL E UMA NOITE


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PODE PARECER CONTO DAS MIL E UMA NOITE

Fora trabalhador da agricultura, quiçá jornaleiro até 1964, altura em deixei definitivamente a Bufarda, freguesia de Atouguia da Baleia, concelho de Peniche.
Em 1968, já eu era chefe de escritório em Lisboa, na Fotogravura União de cerca de 40, empregados.
Já atingira o ordenado de 3.200$00 o que para a época, mesmo em Lisboa era um bom ordenado.
Pelo que em carta enviada a candidatar-me a novo emprego, pedia 3.300$00, uma subida de apenas 100$00. Subida de ordenado de certo modo importante, para a época.
A empresa era a Bertrand & Irmãos, (não confundir com a livraria Bertrand) então já famosa no meio gráfico, com sede na Trav. Condessa do Rio, Lisboa, mas já a laborar no Dafundo.
Escrutinado e chamado a ser ouvido, lá fui ao Dafundo. Ali fui logo atendido pelo futuro examinador, que de imediato me levou ao Presidente de Administração, este inteirado, cabalmente, das minhas funções exultou (foi o termo).
A partir daí voltei ao gabinete do examinador, onde para não faltar mais umas horas ao trabalho, ficou assente prestar provas no Domingo próximo.
Após a prestação de provas:
- Foi-me dito o Senhor, na carta que escreveu, foi muito lacónico!...
Resposta:
- Pelo que vi no anúncio, achei por bem apenas sintetizar o que julguei serem as minhas aptidões para preencher o lugar. De resto aqui tenho estado à disposição para acrescentar o que for necessário.
- O Senhor também foi muito modesto, pediu 3.300$00 e os seus colegas de departamento, ganham 6.000$00. De modo que a Administração decidiu atribuir-lhe 4.000$00 mensais e assim vai estar 3 meses, pelo que então passará a igualar os colegas.
Assim foi, em pouco tempo passei a 6.000$00 mensais.
Sendo que logo no mês de Março seguinte, recebi mais o equivalente a uma mensalidade, de participação nos lucros da empresa.

Daniel Costa


sábado, 23 de março de 2019

PIONEIROS XXI - II


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PIONEIROS XXI - II

Saiu mais um número do jornal PIONEIROS XXI, afecto à UNISBEN,, Universidade Sénior que frequento, colaborando no jornal. Desta vez, além de poema, já saído aqui publiquei um pequena entrevista com Dona Tila, vejam.

Daniel Costa

quarta-feira, 13 de março de 2019

BUFARDA, ATOUGUIA DA BALEIA, PENICHE


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BUFARDA, ATOUGUIA  DA  BALEIA , PENICHE

Estávamos em 1956, na Terça-Feira a seguir a dia da festa de Nossa Senhora do Rosário orago padroeira, entidade a que, mais uma vez, o povo dedicara um grandiosa festa, na sequência das tradicionais festividades anuais.
Para quem já não recorde, era de praxe a festa da Senhora do Rosário, ser sempre das mais luzidas do concelho, aparte a da Senhora da Boa Viagem em Peniche.
Pontanto era lógico que, tendo aparecido o fenómeno musical, incarnado numa orquestra, tendo como base uma família de músicos, da Vieira de Leiria, a mesma fosse contratada para o segundo dia da festa. O custo proibitivo para a época, na Bufarda aliciava mais ainda.
Nesse ano, toda a Rua (hoje da Senhora do Rosário) se encheu de gente, pelo menos, a gente nova do concelho, encheu o recinto, até longe. O quintal, hoje do Gil, do meu pai encheu-se de bicicletas dado que era aberto.
A orquestra composta por sete músicos era transportada um por um grande automóvel, de cor café com leite, era conduzido músico pai.
A vocalista, uma voz maravilhosa de encantar, não pertencia à família. Também maravilhosa era a voz da violinista. No entanto apenas cantava uma canção de título:

– MARIANA = “MARIANA LÁ DA SERRA / NÃO DEIXES A TUA TERRA / PARA SERES AMERICANA… DEIXA O MARUJO IR À VELA … TEM CAUTELA / Ó MARIANA … “

Se bem me lembro, o grupo musical ainda veio `a Bufarda em 1957, porém eu nesse ano estava em Miragaia e não estive na Segunda-Feira da festa.
A orquestra foi efémera e segundo creio firmemente, no concelho de Peniche, devido ao preço da sua contratação, só esteve na Atouguia da Baleia, na Serra de El Rei, além da Bufada.
Atentai bem - Curioso como ainda sou: na Terça-Feira da festa, escutei o Falecido mordomo João Faria, a contar a aventura do custo da contratação:
- Vinte e sete notas (sic); depois o músico ofereceu uma nota de “esmola” para a festa da Senhora do Rosário.
Para os mais novos se situarem, de 100$00 dizia-se uma nota.
Ainda para nos situarmos, comprava-se uma junta de bois por, entre 18 e 19 notas.

Daniel Costa











segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

POEMA DE IMPROVISO


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POEMA DE IMPROVISO

Homens podem ser
Heróis ou santos
De outros falam os jornais
Há quem chore a morte
De homens tais
A mim consola essa negrura
Que a todos torna iguais

Daniel Costa


sábado, 9 de fevereiro de 2019

domingo, 20 de janeiro de 2019

TRGÉDIA QUE NUNCA ESQUECI


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TRAGÉDIA QUE NUNCA ESQUECI

Estávamos em dia de Domingo de Páscoa, de 1958. Foi encontrar-me com o meu primo Luís Cordeiro, o Luís do Casal, precisamente no Casal Foz, para irmos a mais um bailarico, precisamente no Toxofal.
Era já noite, noite de chuva muito miudinha, género de poalha, firmamento bastante enevoado, a equacionarmos se poderíamos romper de bicicleta.
Ali na reentrância onde se situava a “taberna” do Maximino, dois motociclistas amigos da então Vila de Peniche, por acaso, ali se encontram, já que ali na altura, era um verdadeiro entreposto, onde desemboca a estrada que vem do Bombarral, naquela que vai de Lisboa a Peniche.
Tudo bem, houve conversa de confraternização. A certa altura, um dos amigos seguiu viagem e despediu-se afavelmente, como é óbvio.
Embora com o tempo enevoado, a atmosfera parecia rota, o som do motor ouvia-se, até que deixou de se fazer sentir. Afinal o veículo tinha avariado, logo ao passar o Casal do Veríssimo.
O condutor desmontou e tentou remediar a avaria. Entretanto o outro amigo partia também rumo a Peniche. Eu e meu primo ainda estávamos por ali, quando ouvimos um estrondo, desde logo pensamos em desastre.
Só um pouco depois soubemos o que de facto se passara:
- foi então que soubemos que o segundo motociclista, embateu no amigo, que tentava remediar a avaria, causando-lhe a morte, porque  então não fora ainda decretado a sinalização luminosa para estes casos.
Eis como se deu uma tragédia, na estrada, entre amigos, que ainda hoje, ao recordar impressiona.

Daniel Costa